Archive for October 26th, 2006
Sobre meninas e lobas (e a “Síndrome do ‘Eu sou f*’”)

Update: {

Dando os devidos créditos ao Sr. Mário Felipe Rinaldi pela terminologia “Síndrome do ‘Eu sou F*’”.

}

A estas horas, tratar assuntos como este é algo, no mínimo, comprometedor à estabilidade física do escrevente (ainda mais agora, tendo a ilustre visita da Liu). Mas vale o risco pela linha de raciocínio…

Dias atrás (não era o *Dias*, para os engraçadinhos de plantão), conversava com o Sr. Rinaldi, que acabara por passar por mais uma das atribulações de lidar com as mulheres. Após algumas biritas (leia-se shake de proteína batido no suco de laranja) e prosas, me vi envolto pela conclusão (talvez precipitada, talvez tardia) de que as mulheres modernas podem ser subdivididas em dois espécimes:

- As que se conformam com o machismo pré-imposto pela sociedade;

- As que não se conformam nem que o Winston Churchill dissertasse por 72 horas sobre o assunto;

O grande problema nisto tudo é o desequilíbrio: o primeiro time, de comportamento em geral mais submisso e reservado (não deixando de ter pulso por isso), é o típico esteriótipo da femininidade (de acordo com os padrões machistas, bem dito), ao passo que também pode possuir um comportamento “não me toques” (caracterizado pela idéia fixa de que homens são apressados ou que estão “forçando a barra”, qualquer que seja a extremidade comportamental (romântico ou turrão, sempre nestes extremos)), digno de pesadelos mútuos por muitos e muitos dias.

O segundo tipo, contudo, busca a tão bem-quista liberdade de expressão e igualdade (não que não sejamos todos iguais, mas parece que o estigma machista ainda é o calcanhar-de-aquiles do pensamento feminino), quase como um ideal comunista. Estas não aceitam tripudiação de homem algum, são altivas, enérgicas, obstinadas pelo sucesso e a independência, ávidas pela integração social… nossa! O típico exemplo de ser vivo que um homem bem-sucedido e mente aberta gostaria para companhia eterna.

Entretanto, este comportamento por demais vívido acaba gerando, em algumas espécies, algo que pode ser definido como “a síndrome do ‘eu sou f*’” (leia a regex como preferir…). A “coisa” de ser igualitária é tanta, que às vezes acaba gerando um feminismo forçado, levando ao ditadorismo, orgulho e uma pitadinha de desdém proposital (só de birra para dizer, subliminarmente: “quem manda sou eu, obedeça se tiver juízo!”), que levam um homem de boa vontade à dependência de Aspirina e à migração incessante pelos consultórios de psicologia…

O que mais me impressiona, como um convivente com pessoas que sofrem da síndrome, é que estes mesmos símbolos de poder e onipotência costumam sofrer de carências e traumas psicológicos inatos (talvez fator motivacional para adotarem tal complexo de inferioridade). De fato, parecem mais dependentes do que um urso de pelúcia às vezes… Talvez sejam elas mais desejosas de atenção e disponibilidade do que as “Amélias” da vida, possivelmente também pela vida atribulada a que se destinam.

Sinceramente, não sei qual destes tipos é pior para se conviver. O certo é que é melhor viver em prol de suas companhias do que o celibato. Machismo? Não é impossível, “homem é tudo igual mesmo”, não é isto? Mas é inegável que, exceto pelos que optam pelo homossexualismo, a dependência homem-mulher é mútua.

Nota: Não sou psicólogo, sexólogo, *logo, apenas um doidivana tentando entender um universo além de sua própria compreensão. E este artigo possui apenas embasamento em opiniões e experiências pessoais, podendo ser fortemente refutado por qualquer ser pensante que discorde do apresentado.

PS: Impressões finais: Ora, parece que a mulher perfeita só existe para o próximo. E as vezes a imperfeição chega a níveis homéricos, o que possibilita a total estafa. Pensando bem, melhor concordar com Franz Kafka e virar celibatário em favor de uma arte maior, que ganho é mais!

[insert raios múltiplos! Não é o desejo, mas parece não sobrar muita escolha por estas horas…]

.hack//A lenda do bracelete do crepúsculo

Bastante interessante, para um pobre geek, este título. Não, não o título do post, e sim esta obra fictícia em forma de mangá.

Estive esperando já a algum tempo a chegada de .hack no Brasil, até para conferir direitinho do que se tratava (sim, aquela questão de defender uma ética hacker…). Como nem paciência nem grana tive para adquirir o original em japonês, aguardei por cerca de dois anos até este lançamento da Editora JBC.

Aliás, outro fator crucial pelo qual eu não fui atrás do shônen antes é meu pé atrás com a Clamp. Sabe, estas personagenzinhas SD de aspecto infantil envolvidas em estórias sci-fi mirabolantes (vide Akira Toriyama) até para os irmãos Wachowski (vide V for Vendetta, The Matrix) nunca foram meu escopo…

Entretanto, como eu esperava, esta empreitada é *bem* mais interessante que outras coisas que já vi do Clamp (bom, salvo X e Tokyo Babylon… e, vejam, é a minha opinião). Lógico, ainda mantém o perfilzinho pré-adolescente, mas é bem mais envolvente.

Ok, assumo, talvez isto ocorra pelo fato de eu ser techie e ficar viajando na maionese nas questões técnicas que envolveriam a trama. Mas vale a pena, até por usar uma temática bem mais próxima de uma realidade (virtual) de diversos geeks viciadinhos em MMORPG (Massive Multiplayer Online Role Playing Game, para os íntimos). Bom, mas ainda mirabolante, como toda produção do Clamp…

Uma breve sinopse: Shugo e Rena são irmãos gêmeos de 14 anos de idade. Rena atualmente está jogando um MMORPG super famoso, um tal de The World, que utiliza como tecnologia um FMD (Face-Mounted Display, tipo aquele joguinho de guerra dos arcades (esqueci o nome, mal…), que você coloca o capacete na cabeça e sai atirando na galera… só que este é levinho como um 3D-glass), e decide apresentar o jogo para o irmão.

Shugo, “maduro demais para jogos”, desaprova a idéia a princípio (coisa pra nerds e tudo), mas decide testar, visto que Rena foi sorteada com uns avatares limitados, atribuídos como sendo os dos lendários .hackers (sugestivo, não?), que são tidos como os únicos jogadores a desvendarem o “Último mistério” (seja lá o que isso for…). No fim, o cara começa a gostar da idéia, e começa a jogar com a “mana” (motivos para as aspas no noticiário das 11). Daí, numa destas de proteger Rena de um Golem, Shugo morre… mas é estranhamente revivido por uma garota de olhão esbugalhado e vestido branco, chamada Aura, que além de revivê-lo, entrega um bracelete deveras misterioso, além de dar uma bitoca na boca do rapaz (que fala mal de nerd, mas cujo este é o primeiro beijo da vida dele, e ainda por cima é virtual). Daí pra frente, o cara se empolga e decide encarar a aventura, e motivos não faltam… Agora ele quer reencontrar a Aura, que de quebra diz a ele que será aquele a reviver a lenda dos .hackers, entender o que isto por acaso significa, e também dar uma sova de leve no paladino que está segurando a irmã dele no colo quando ele volta à vida, um tal de Balmung…

E assim, a estória come solta, rumo a descobertas surpreendentes dentro deste mundo virtual que possui muito mais que bytes e artworks… (rola trama política, oba!) E dá até pra pirar nas idéias técnicas e tentar prever o futuro da trama, caso habilite-se. E o legal: sem colocar aqueles estigmas preconceituosos de que hackers são a escória (visto na figura dos .hackers, que são tidos como os mestres do The World (mas como uma ameaça também… tanto virtual, como tecnológica, ou política, como toda elite…)).

Neste momento, a edição em banca é a #3, mas creio que ainda dê pra achar as duas edições anteriores em algumas bancas. No mais, nada que uma passadinha na Comix não resolva…

Arte de Rei Idumi e roteiro de Tatsuya Kamazaki, para não esquecer a citação autoral.